images-Partitura de Beethoven

Conceitos musicais, melhor formuláveis como ACONTECIMENTOS (1) caracterizam-se pela interferência de componentes acústicos e kinestéticos. Determinam seu nível imaginativo.

Com a aplicação suplementar do conceito de Linguage Games, de Wittgenstein, e da PC de Whitehead, tornam-se importantes ferramentas para diagnosticar signos brasileiros.

Mais além, tomando a atividade musical como modo de vida (Lebensform), indicam implicitamente Linguage Games correspondentes. Por exemplo, o modo de tocar dos sanfoneiros nordestinos, o samba carioca em compasso dois por quatro.

Uma canção de Milton Nascimento, vista como “verbalização”, indica ou exige o game, especificamente brasileiro, correspondente. É possível deduzir deles práticas particulares. Podem ser transladadas com objetivos pragmático-transformativos.

A necessidade de conhecer o game para compreender os conceitos musicais, além dos distúrbios registrados em sua falta, atestam a intensidade da interferência. São elementos essências, invariavelmente presentes na comunicação entre músicos.

A identificação de Proto-games permite reconstruir o game e o conceito correspondentes. Podem ser formulados como módulos e componentes.

Passagens e liks indicam módulos correspondentes. Em nível posterior, encontramos os acordes, frases, motivos e figuras rítmicas. Ao nível icônico, aparecem como patterns. Microscopicamente são fractais.

É importante atentar para o fato de que a Lebensform musical, por mais vasta que aparente, invariavelmente permite deduções previsivas válidas.

Boulez

O Processo Compositor, como descrito por Pierre Boulez, descreve como games musicais desenvolvem-se e relacionam-se.

Na atividade musical, o ar, como médium, tem função indicativa. Estabelece a relação indicial com os games. Na observação de elementos trans-subjetivos para a DTB, identificaremos signos indicativos análogos ou homólogos.

Pelo conceito de Homologia, relações podem ser transladadas. Por conta disto, a Dimensão Transsubjetiva Musical (DTM) é um modelo auxiliar para o desenvolvimento da Dimensão Trans-subjetiva Brasileira (DTB).

Na prática musical são frequentes exemplos de inferências dedutivas, partindo de EBIs acústicas. Informam o músico sobre aspectos kinestéticos da execução do instrumento.

Alguns compassos, de música pianística, indicam como foram tocados. E reproduzir este processo. Este fato caracteriza a DTM como princípio genérico. Possibilita descrições, predições e o desenvolvimento de artefatos musicais, entre outros.

O repertório de games que forma o modo de viver musical é um métier (2) dotado de continuidade. Possibilita-nos operar a previsão, no sentido de Boulez, como microcosmização desta continuidade.

A realização de novos conceitos musicais pode, por isso, ser acompanhada pela composição de novos games, e vice-versa. Nesse sentido, um aspecto importante é a formulação da DTM como progressão criativa.

Vamos relacionar este aspecto à aplicação do ícone como índice de sua ruptura com o acontecimento, propriamente dito. A partir disto, sugere-se, ao menos, a possibilidade de atentar para o desenvolvimento de um grau similar de relacionamento, entre elementos da DTB, como registra-se e descreve-se na Música. Os meios, através do quais é possível deduzir validamente na Música, além dos modos de sua descrição e organização, servirão como orientação.

Música

Nesse sentido, o passo inicial é formular o métier da DTB. Assim como a Música é reduzida a um determinado número de princípios que permitem deduções válidas, iniciamos o desenvolvimento da TIB por hipótese semelhante.

Nesse sentido, é necessário o diagnóstico semiótico para verificar o status inicial dos elementos da DTB. Em seguida desenvolveremos processos para operá-los como legsignos.

Estas ferramentas são elementares. A consequência, mais imediata, é o fato de toda idéia e proposta, indicarem, implicitamente, a dimensão de signos brasileiros. Principalmente sua viabilidade. Pois, como sabemos, idéia e métier regulam-se. E indicam-se recíproca e implicitamente.

Outra consequência é a disposição do pensar, com os conceitos correspondentes, neste sentido. Tais fatos, pensados e desenvolvidos em conjunto, por um pequeno grupo de experts (Matemáticos, Filósofos, Músicos, Designers etc) pode dar bons resultados.

Chame o Medico

Em resumo:

1 – Experiências musicais são disposições de memória, no sentido de Herbert Witzenmann (V. Strukturphänomenologie). Constituem um grupo de games. O game correspondente ao novo conceito é deduzido, ou abduzido, dos já existentes.

2 – Isto é compreensível pela formulação da atividade musical como modo de viver (Lebensform), descrito pelos conceitos da progressão criativa de Whitehead. Por ser dotado da continuidade de eventos kinestéticos, como disposição de memória, no sentido de Witzenmann, com seus conceitos e verbalizações correspondentes, permite a inferência lógica e criativa.

3 – Novos conceitos correspondem a novas disposições desta continuidade. Formam games deduzíveis dos existentes. Isto nota-se em conceitos como métier, previsão, realização e transgressão. Sugerem possibilidades latentes, capazes de emergir desta continuidade.

NOTAS

(1) – O conceito formulado como acontecimento significa que perde componentes abstratos. Em contrapartida ganha componentes kinesteticos, acústicos, sensuais. Com relação a cultura e realidade brasileiras, acreditamos ser mais indicado e operacionável a visão como acontecimento.

(2) – O conceito Métier pode ser compreendido, ou substituído pelo conceito “Recursos Possíveis”.

Edson de Melo (texto atualizado em agosto de 2011)