L. van Beethoven

Milton e Fernando Brant

 

 

 

 

 

 

 

Milton Nascimento e Ludwig van Beethoven – A Troca da Usia Aristotélica pela Poiésis.

Para formar a representação do significado da obra de Milton Nascimento, foi contraposta, na EPI-I, aos resquícios de panteísmo e “Sturm und Drang”, nos modos teleológicos, metafísicos e arquitetônicos da música alemã.

W. von Goethe

O pensamento morfológico, como encontramos em L. van Beethoven, é exemplo marcante. Seu sentido espiral ascendente, inspirado em W. Von Goethe, principalmente na Nona Sinfonia, advém diretamente desta tradição. Assim, surgiu a grande forma, voltada às concepções idealizadas de beleza e veracidade.

Neste aspecto intervêm elementos originalmente teológicos, impulsionados por Pitágoras, estendidos pelo platonismo e aristotelismo, como princípios civilizatórios como notou B. Russell. A idealização absolutista de intencionalidade e extensionalidade, como na lógica estóica.

Em contrapartida, Milton Nascimento sugere sua reforma pela proposta de processo compositor, como sistema complexo-aberto, advindo de atividades musicais artesanais, poiéticas e práticas.

Este rechaçamento musical construtivista simboliza a troca do cerne metafísico, usia aristotélica, ou Wesen dos alemães, pela Poiésis. Sua reconstrução metódica e protótipo de reformas civilizatórias.

Nesse sentido, construções rítmicas, como, por exemplo, em “Saudades dos Aviões da Panair”, em sua natureza quase melódica, quase harmônica, são impulsos reformadores.

Uma peça como “Gran Circo” propõe conceitos e tipos de formas. Podem ser cada ponto espaço-temporal do Brasil.

T. von Adorno

Aí, tem-se a sugestação de alternativa à música impulsionada pela filosofia ou pintura, como Adorno viu em Debussy e Stravinsky, em sua “Die Philosophie der neuen Musik”.

A forma pode ser análoga a realidade trans-subjetiva, como propôs Heitor Villa-Lobos nos Chros, principalmente de numero 11.

A atividade compositora pode ser coletiva, centrifugal, sob agentes diversos e inconscientes da totalidade, organizando-se espontaneamente.

Supera o intencionamento centripetal da tradição platônico-aristotélica. Produz elementos musicais emergentes. Inspira novos impulsos civilizatórios, como desenvolvemos nas EPIs I e II.

Sua simultaneidade, intensidade, e polarizações exigem respostas. Novos conceitos. Nova conceituação do conceito, na tradição cognitiva do Ocidente.

O Brasil tem traços intensos de tradição histórica, na terminologia de Feyerabend.

A pluralidade de deuses, o ecletismo pragmaticista em consultá-los, decidindo-se pelo que resolve.

A abundância de conceitos imaginativos, próximos a realidade trans-subjetiva, flexíveis, dos quais nos orgulhamos.

O predomínio da capacidade e possibilidade de metamorfoses que promove a criatividade.

B. Spinoza

O liberalismo que impede o elitismo, classicismo e total predomínio de conceitos e idéias platônicas.

Entre nós, os índios manifestavam em sua religião e mitologia o ecletismo condimentado com seu pragmatismo característico. Processo compositor característico que herdamos.

Milton Nascimento foi, nos anos setenta, o projeto de inauguração da reforma civilizatória brasileira pela inédita composição musical de tradição histórica.

A parte II da EPI-I concentra-se no estudo da cultura brasileira e suas possibilidades reformistas.

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