Hempel

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Oppenheim

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Carl Gustav Hempel nasceu em 8 de Janeiro de 1905, nas cercanias de Berlim. Estudou com Hans Reichenbach. Em 1934 emigrou para a Bélgica, com ajuda de Paul Oppenheim, um amigo de Reichenbach. Mais tarde seguiu para os EUA.

Entre 1939 e 1948 lecionou no City College e no Queens College, em Nova York. Neste período começou a interessar-se pela teoria da explanação científica.

Carnap

Hempel era membro do Grupo de Berlim, um grupo de positivistas lógicos, ligados  ao Círculo de Viena. Foi influenciado por Reichenbach und Carnap. Todavia, percebeu a impossibilidade do positivismo lógico mais ortodoxo, com seu princípio de verificação. A tese positivista de que declarações teóricas, sobre acontecimentos não observáveis, podem ser traduzidos, completamente, em declarações de observação (O-Statements), pareceu-lhe inviável.

O escrito de Hempel e Oppenheim sobre o tema, publicado em 1948 (“Studies in the logic of explanation“), impulsionou a Epistemologia vigorosamente. Iniciou um  debate duradouro e frutífero. Continua sendo discutido e desenvolvido. Permanece como referência. Não limitava-se à Epistemologia, tradicionalmente dominada por concepções influenciadas pela Física, estendia-se às Ciências Sociais.

O Modelo Dedutivo-Nomológico é uma das colunas de sua teoria. Pela importância e validade oferece orientação genérica sobre as condições para que a justificação científica seja aceita.

Neste modelo, fenômenos são aceitos como explicados ao serem reduzidos à dados ou fatos, em uma relação de causalidade. O que se quer explicar é derivado do explicado ou conhecido.

Isto é representado, estruturalmente, através de relações dedutivas entre declarações, no modelo Dedutivo-Nomológico (DN), desenvolvido por C. G. Hempel (1977) e Paul Oppenheim.

Trata-se de argumentação lógica que partindo de leis científicas reconhecidas e de fatos observados leva à conclusão (Explanandum). Um Explanandum (E) questionado segue logicamente de um antecedente (C1….Cn), sob leis determinadas (L1….Ln):

1)       C1, C2…..Cn  Explanans ( conditio)

2)       L1, L1….Ln    Explanans ( lex)

_______________________________________________

 

3)       E                    Explanandum ( Declaração )

O Explanans é a variável com força e função explicativa. É formado por lei científica e acontecimentos anteriores ao fenômeno a ser explicado e verificado empiricamente. Por sua vez, as leis são consideradas explicadas quando deduzidas logicamente de leis universais e corretas. Leis científicas são divididas por Hempel em duas classes: Fundamentais e deduzidas. As primeiras são corretas, universais, irrestritas, sem dependência temporal-espacial. Apresentam forma condicional. Por exemplo: Todos os metais são condutores de eletricidade. A lei deduzida é derivada da lei fundamental. Falta-lhe o caráter diretor e independente.

O Explanandum é a variável dependente das anteriores, o fato ou acontecimento observado, para o qual falta uma explicação. Caso falte o Explanans (C1), a abdução é aplicada para determiná-lo.

Desse modo, os “buracos” no esquema são preenchidos abdutivamente, mesmo com o perigo de erros (Käbisch, 2000 e Hempel 1977).

Por sua vez a explanação caracteriza-se pelo caráter pragmático. Isto a distingue da prognose. Por exemplo, o acontecimento A realizou-se.  Posteriormente tentou-se explicá-lo. Caso afirmações explicativas tivessem sido formuladas anteriormente seriam explicações. Caso o Explanans fosse tecido ex ante e um fenômeno determinado pudesse ser deduzido dele, seria uma prognose. Nesse caso leis e condições inicias são dadas, ex ante. E  o fenômeno é derivado a priori do acontecimento descrito.

 

Questão Conhecido Procura-se
Explicação Por que B? Explanandum (B) Argumento/Hipótese
Prognose Que acontecimentos ocorrerão, como conseqüência? Explanans Explanandum

 

Para distinguir a correta explanação de pseudo-explanações Hempel desenvolveu o Princípio de Adequação. Segundo este, chega-se à explicação quando são cumpridas as seguintes condições:

1-  As declarações do Explanans e do Explanandum tem validade empírica.

2 – O Explanans é composto de, pelo menos, uma frase correspondente a uma lei científica.

3 – O Explanandum deriva-se lógica-dedutivamente do Explanans.

4 – A declaração que corresponde ao Explanandum não advém unicamente de frases do Explanans que não correspondem à leis científicas.

5 – Todas as declarações do Explanans são verdadeiras.

Nesse sentido, uma explanação verdadeira registra-se quando a lei científica é igualmente verdadeira.  Por exemplo:

Explanans:

(L) Sempre que um cordão de espessura R tiver de suster o peso mínimo K  romperá.

(C1) Este é um cordão de espessura R

(C2) O peso que ele tem de suster, neste momento, é, ao menos,  K.

Explanandum:  Este cordão vai romper.

Caso as premissas do argumento dedutivo-nomológico sejam conhecidas de antemão e a conclusão derivada posteriormente, tem-se uma fundamentação dedutiva-nomológica ex-ante.

Pode ainda ganhar o status de “Previsão Dedutiva-Nomológica”, caso o elemento antecedente preceda ao acontecimento do Explanandum.

Caso venha a dar-se depois, caracteriza a retrodução. Por exemplo, a suposição de uma eclipse solar, a partir de informações astronômicas, é uma previsão. O mesmo, com relação a um fenômeno acontecido no passado, a partir de descobertas geológicas, seria uma retrodução.

Para satisfazer tais critérios, uma regra introduzida por abdução necessita ser uma lei. O atestado de que isto não seja acidental é ganho por diferentes métodos, como, por exemplo, o de Goodmann (1988).  Principalmente Hempel e Popper viam a lógica do descobrimento como algo subjetivo.

Não interessavam-se pelo processo de criação de hipóteses. Apenas pelas possibilidades de comprovação ou refutação.

A explanação científica é aceita como genuína quando C1… Cn são constatados empiricamente. Isto a distingue da explanação  hipotética.

Nesse caso, o elemento abdutivo é aceito como explicação temporária. Não contradiz o esquema DN de Hempel-Oppenheim, pelo fato da maioria dos conceitos científicos serem introduzidos como hipóteses.

Todavia, uma explicação plausível não tem o mesmo valor científico de outra verificada empiricamente, pelo critério de adequação de Hempel-Oppenheim. (Stegmüller, 1974. p. 86-88).

Um tal modelo tem sido bastante criticado. Nancy Cartwright tentou substituí-lo pelo chamado Modelo Simulacrum, onde o fenômeno é explicado levando em consideração suas idiossincrasias.

De outro modo, com a adaptação do fenômeno à teoria, registra-se uma distorção (Cartwright, 1983). Outra alternativa é a “Inference to Best Explanation” (IBE). De todo modo, o modelo de Hempel e Oppenheim mantém-se vigente.

Além do Explanandum, Explanans e do Princípio de Adequação, outros elementos da estrutura do esclarecimento científico são:

1 – Condições Lógicas de Adequação:

a – O Explanandum tem de ser deduzível logicamente do Explanans. As informações no Explanans têm de ser suficientes para a dedução do Explanandum.

b – O Explanans tem de conter, ao menos, uma lei necessária à dedução do Explanandum.

c –  O Explanans necessita ter conteúdo empírico. É refutável pela experiência.

d –  As declarações do Explanans são verdadeiras.

2 – Condições Empíricas de Adequação:

Caso o Explanans contenha, ao menos, uma lei, não necessita conter a condição inicial. Caso o Explanandum seja uma lei, basta uma lei adequada e abrangente, como Explanans, para sua dedução.

Hempel distingue ainda diferentes níveis de explanação: O básico é a subordinação  do acontecimento a lei genéricas que relacionam-se diretamente à elementos  observáveis. Para generalizações são necessários “Konstrukte” teóricos, mais ou menos abstratos, componentes de teoria abrangente. Explanações de nível ainda mais alto podem contar com métodos variados. Um deles é a explicação de acontecimentos com ajuda de declarações sobre a estrutura microscópica do mecanismo interno do acontecimento (Microteorias).

3 – Explicação Causal ou Determinística informa sobre causas de acontecimentos. Determinadas circunstâncias ou condições iniciais são causas quando registram-se regularidades ou leis empíricas que a fazem entrar em cena. Hempel considera o DN-Erklärung como formalização da explicação causal.

Exemplo, Caso A descreva o acontecimento específico, então as circunstâncias descritas anteriormente (C1,  C2,  …  CK) são conjuntamente a causa de A.  As leis   L1,  L2,… LR  expressam determinadas regularidades empíricas. Assim, sempre que as condições do tipo  C1,  C2,…  CK  entram em cena, o acontecimento A manifesta-se. L1, L2, … LR são denominadas leis causais ou determinísticas (Idem, Hempel-Oppenheim).

4 – Explanação indutiva-estatística:

Caracterizam-se pelo fato do modelo acima, apresentar, no mínimo uma hipótese do Explanans com natureza probabilística. Nesse caso, o Explanandum não é mais deduzível do Explanans.

5 – Explicação Potencial. Uma sequência de declarações (T, C) forma a explicação potencial, para uma frase singular A, quando os seguintes requisitos são preenchidos:

1)  T é declaração generalizada.  C é singular.

2)  A é na “Linguagem modelo” L derivável de T e C, juntas.

(A linguagem modelo (Modellsprache) L é uma linguagem formalizada que nos permite compreender a concepção da lei. É formada por sistema de regras lógicas, claramente definidas).

6 – Explanação Teleológica. É uma alternativa à explanação determinística. Aplica-se normalmente quando o fenômeno é influenciado por ações humanas. Baseia-se em informações sobre objetivos, intentos e normas condutoras. Segundo Hempel, caso sejam adequadamente formuladas, podem ser tomadas como explanações determinísticas. Para maiores informações veja Hempel (1977).

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