Na conexão de elementos do Lebenswelt, a consequência da ação aparece como notável por ser um distúrbio desta ordem.

Assim, este distúrbio pode ser o critério inicial de resultado inesperado.

Nesse sentido, a inovação é a modificação aceita na prática vigente, através de processo de aprendizagem e reconhecimento que modifica esta prática. Esta definição é aceita pela maioria de epistemólogos, como Groy, Grünwald, Banse, Weyer.

O novo é temporário. Pois, sua novidade persiste provisoriamente, até que seja admitido na práxis da comunidade. Nesse sentido, modificação e inovação são determinações. Descrevem a ação, após o surgimento do novo. A primeira refere-se ao aspecto da consecução de ato individual. A outra tem a ver com a validade deste ato. Todavia, não informam como o novo veio a surgir.

Roentgen

Em determinadas invenções, é considerado ex post. Pois, apenas veio a ser notado ou verificado após seu surgimento.

Este foi o caso do descobrimento do raio X por Röntgen. Pode ser igualmente, ex ante, como modificação planejada da atividade diretora e dos meios técnicos. Esta atividade precede a planejada interpretação do meio. Assim, o novo pode ser esperado, de antemão.

Uma modificação da atividade é poieticamente cumprida quando pode ser repetida com o novo conteúdo.

Iniciando o novo conscientemente, por exemplo, no âmbito da engenharia, a modificação da poiética acontece pelo planejamento. Não acontece primariamente pela modificação do meio. O plano apresenta a ação futura, sua base racional e a fundamentação de prognósticos. Isto transcorre pela abdução.

A essência do planejamento é a projeção de novos meios. Levam o ator à modificação na referência da atividade (Handlungsbezug). No caso de artefatos, o planejamento de sua modificação limita-se a fabricação (idem p. 208).

ARMIM GRÜNWALD

Segundo Grünwald (2002) existem três tipos de invenção:

1 – A inovação, no âmbito do planejamento. Acontece pela combinação de regras técnicas conhecidas de diferentes sistemas. Transcorre imaginativamente, pela presença dos objetos. Desse modo, apresenta-se propício ao processamento pela Análise Morfológica.

2 – A extensão do âmbito de validade de regras técnicas conhecidas e comprovadas. Tem igualmente um aspecto imaginativo.

3 – A invenção criativa onde a combinação de regras conhecidas é modificada pela nova relação entre meio e objetivo. Transcorre pela combinação de todos os âmbitos disponíveis.

Caso seja, transcorre pela formação de novas relações entre conceitos, indica a intensidade da criatividade no status simbólico, independente da visualização de formas diagramáticas. Isto corresponderia à inspiração ou intuição. Todavia, para sua realização é imprescindível a indicação de meios concretos, diagramáticos. Ou a composição de atividade diretora sensual, com a demonstração da construção do objeto.

Ao nível de planejamento, o novo é justificado com ajuda de experimento. Assim, a invenção não pode ser integralmente planejada. Neste nível não é reconhecida. Todavia, os prognósticos são decisivos. Informam sobre o contexto futuro, no qual o novo tem de comprovar-se e sobre consequências da aplicação. Tais prognósticos orientam e influenciam a construção de artefatos.

Para a prognose é necessário o saber intersubjetivo de antecedentes. Isto constitui a “prognose condicional”. A “prognose categórica” é do tipo, “o fato x aparecera no momento T”. Toda prognose é uma hipótese que pode ser fundamentada em modos diversos.

As deficiências na fundamentação podem ser assimiladas no planejamento como risco. Na invenção criativa a prognose não é fundamental, pois faltam informações práticas sobre a relação entre meio e objeto. Na falta de melhor possibilidade aplicam-se prognoses hipotéticas, com ajuda de abdução.

A função da argumentação abdutiva é mostrar ao oponente as razões pelas quais o proponente escolheu a regra provisória, colocada como declaração inicial. Assim, a suposição baseia-se na regra e na declaração inicial. Regras e suposições são, no caso, hipotéticas.

O momento decisivo, na invenção criativa, são atos não planejáveis ex ante. “Innovation, creativity and learning emerge from practice rather than from contemplation” (RS. Bolan, The Practitioner as Theorist, 1980, p. 273). Caso a ação mostre resultados, pode ser interpretada e descrita de modo que produza a relação inusitada entre meio e objetivo, no âmbito do planejamento.

A inovação inicia pela modificação criativa desta relação. Por isso, o novo aparece inicialmente como distúrbio ou falta de competência. Para sua reprodução introduzimos, abdutivamente, a hipótese de sua causa. Tão logo seja aceita, no repertório da comunidade, ganha o status de inovação (idem p. 228).

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