TEXTO DE APRESENTAÇÃO DA TEORIA DO BRASIL

(atualizado: agosto de 2011)

Caipirinha – 1923 – Tarsila do Amaral

Acontecimentos intensamente brasileiros são caracterizados pela interferência de componentes correspondentes. Desempenham papel relevante pela sua presença em quantidade e intensidade determinadas.

O princípio orientativo é o fato de todo acontecimento ser um processo culturalista compositor. Uma prática.

A disposição de tais composições pode ser compreendida por modelos de interferências. Grande quantidade de componentes interferidos por signos brasileiros. Por sua vez, os componentes dividem-se em categorias: Estruturas fractais e outras estocásticas, baseadas em quantidade determinada de componentes básicos, processados estocasticamente.

(Isto pode ser compreendido sob o princípio da compressão de Shannon. Define uma “previsão”. No exemplo clássico, aplicado a Língua inglesa, o conjunto de todas as letras do alfabeto constitui o métier. Introduzindo um critério, como “idéia inicial”, por exemplo, o fato de determinadas letras aparecerem com maior frequência, é resumido na “previsão”. Pode ser novamente comprimida, introduzindo novas “idéias”. Por exemplo, o fato de após uma determinada letra, existir maior probabilidade de aparecer outra determinada, e assim por diante. (V. Shannon/Weaver, 1949)

Jorge Mautner

Tais modelos de interferências são exemplificados no trabalho de artistas representativos. Aí, o métier é modulado pelo matiz individual constante, tornando-se irredutível a outras culturas e populações. Por exemplo, a música de Milton Nascimento.

Esta interferência acontece em todas as fases de processos compositores. Sugere possibilidades aplicativas.

Proporemos um modelo genérico orientativo: Componentes de estruturas complexas de interferências, modulados por signos homologamente constantes, invariavelmente brasileiros, todavia interferindo diversamente, transladando-se pela interferência, em cada fase do processo.

As ferramentas desenvolvidas são modos de descrever esta disposição. As limitações deste esboço nos obrigam a tecer formulações genéricas que ressaltam a universalidade das ferramentas e processos indicados. A tarefa inicial será identificar, localizar e descrever a intervenção de signos brasileiros. Bem como suas relações homologas, com aparições relacionadas a componentes de outros acontecimentos.

Em todo acontecimento interagem elementos trans-subjetivos genéricos, além de outros intersubjetivos e subjetivos. Processos e disciplinas internacionalmente reconhecidas, como Análise Morfológica (AM), Fast Fourier Analysis (FFT), Directed Graphs (DAGs) e Bayesian Networks (BNs), por exemplo, processam tais elementos satisfatoriamente.

Todavia, não estão preparados a considerar aspectos específicos de uma cultura. Em nosso caso, faltam meios para reconhecer elementos da Dimensão Trans-subjetiva Brasileira (DTB), como preceding step.

Desenvolvemos, por isso, ferramentas como as Cadeias Homológicas, Transladação, Interferência, a Geometria Fractal e o Ícone como Índice de sua Ruptura com o Fenômeno, preenchem esta lacuna, apoiados pelo Modelo Semiótico para a Descrição de Eventos e Objetos.

Viabilizam a descrição da estrutura morfológica de acontecimentos brasileiros, introduzindo a DTB como dimensão constante, em suas diversas categorias e relações com outros elementos trans-subjetivos, intersubjetivos e subjetivos.

Miss Favela

Práticas culturalistas, como, hábitos, utensílios, danças, ritmos, comidas típicas, vestuário, arquitetura, preparação da terra para o plantio, modos de sofrer, festejar, rezar, brigar, além da ecologia dos tipos regionais, entre outros, são elementos trans-subjetivos e componentes básicos do modo de viver de um povo. Juntos formam, o Lebenswelt das populações, nas diversas atividades de seus indivíduos.

A aplicação de esquema de processamento apropriado revela um métier virtual, implícito no modo de viver e Lebenswelt da população. Recorremos a ele, frequentemente. Por exemplo, ao operarmos abduções correntes, com as quais nos comunicamos na vida diária, tentando explicar e antever problemas e possibilidades. Este “métier virtual” é o tipo a partir do qual deduzimos e individualizamos possibilidades de ser dos brasileiros.

Na direção oposta, coloca à disposição a “previsão”, no sentido da qual inferimos, abdutivamente, signos do comportamento deste povo. Quando bem sucedida forma princípios explicativos e previsivos.

Segundo Mach, na tentativa de dar ordem a fenômenos complexos, o cientista tece princípios, com ajuda de experimentos pensamentais audaciosos. É um modo de pensar morfológico. Motiva-nos a esboçar ou idealizar fatos (Mach, 1963).

O elemento eferente mostra-se bem próximo à individualização habituada, sem a mobilidade característica, e impregnado pelo elemento aferente. Em seu processamento, o pensar não afasta-se da realidade, mesmo tratando de objetos abstratos. Isto viabiliza o pensar imaginativo, realista e lógico.

A Mesa

Segundo Einstein, a tarefa do físico é procurar leis elementares, aplicáveis em fenômenos da natureza, para formar um Weltbild. O método da física teórica exige a formação de princípios como fundamento de pressuposições genéricas.

É necessário, porém, partir e desaguar na experiência. (Em “Mein Weltbild”, 2005, p. 145-146 e Fischer, Einstein, p. 53-54).

Normalmente, este processamento é operado pela população, como prática cognitiva artesanal pré-científica. Utiliza ferramentas abdutivas, inconscientes, em sentido do métier virtual.

A Teoria Instrumentalista do Brasil (TIB) inicia pela observação de práticas observadas na população, nas diversas regiões, sob ferramentas cognitivas determinadas. As práticas serão refinadas e seus procedimentos generalizados para ganhar o status de teoria científica.

O problema metódico inicial é o fato da realidade brasileira ser um acontecimento de intensa continuidade, sem início ou fim. A continuidade conceitual parece infinita dificultando o exame analítico sistemático.

Elite da Tropa

Com a disposição de categorias como a Dimensão Transsubjetiva Brasileira, tomando qualisignos como elementos constituintes, introduzimos a necessária descontinuidade que favorece a investigação e seu processamento.

Como elemento básico, definiremos o conceito de prática seguindo o Culturalismo Metódico, de Peter Janich e seus colaboradores. Todavia, será adaptado à aplicação específica.

Os tipos regionais, descritos por Darcy Ribeiro, em “O Povo Brasileiro,” desempenham papel relevante. Por isso, como elemento auxiliar, aplicaremos Proto-Conceitos-Dispositivos. Trata-se da relação original, conjuntiva-disjuntiva, de invasores, com intenções extrativistas, e a tendência sustentativa dos autóctones.

A intervenção específica de signos trans-subjetivos brasileiros (Transsignobras), sua proporção em acontecimentos, e relações externas, igualmente causais-estatísticas, serão organizadas e processadas em quatro etapas:

1 – Pelas ferramentas suplementares, iniciando pelo processo de observação de fenômenos: Cadeias homólogas, interferências e o ícone com índice de sua ruptura com o fenômeno. Foram desenvolvidas e adaptadas para processar este material básico, junto a ferramentas do instrumentário.

2 – Em seguida, a AM para dispor e discriminar a organização interna do acontecimento.

3 – Mais além, a Fourier-Analysis para a descrição matemática. DAGs formulam e descrevem relações de dependência, igualmente causais.

4 – Finalmente, o processamento causal-estocástico pelos BNs.

Os dois primeiros aspectos serão apresentados mais detalhadamente. Os restantes esboçados para o desenvolvimento posterior.

Edson de Melo (agosto de 2011)

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 1 – Ferramentas e Resultados para a Teoria do Brasil (TB)

 

2- Complementos

 

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Edson de Melo

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