Norbert Wiener

CONCEITOS MODERNOS E OPERACIONÁVEIS PARA A EPISTEMOLOGIA BRASILEIRA

No Culturalismo Metódico a cultura é definida como algo que abrange toda atividade humana. Atividades manuais e artesanais, como cozinhar, lavar pratos ou trabalhar, são produtos culturais, do mesmo modo que livros ou pinturas. Mais além, tudo que seja influenciado por ela, incluindo efeitos no meio ambiente.

Por exemplo, manejos de plantas ou do solo, desenvolvidos e praticados na Agricultura Biodinâmica são atividades “culturais” (kultürlich). Também o projeto de reflorestamento, a disposição das plantas no jardim etc. Em contrapartida, o crescimento das plantas é “natural”. Assim, distingue-se Cultura e Natureza.

Peter Janich

Nesse sentido, exemplo contundente de “culturalismo” foi apresentado por C. Nüsslein-Volhard, prêmio Nobel de Medicina, em 1995. A pesquisadora alemã afirma que o cultivo de plantas iniciou-se há onze mil anos, na Ásia. O trigo, com o qual fazemos o pão de cada dia, foi modificado geneticamente. Não mais corresponde aos seus ancestrais “naturais” (V. DLG – Revista da Sociedade Alemã de Agricultura, Junho, 2009). No Brasil, temos o exemplo da mandioca, transformada pelos índios para tornar-se comestível (Veja, D. Ribeiro, O Povo Brasileiro).

Orientando-se por este conceito de cultura, poder-se-ia dizer que signos interpretados como “naturais” contém camadas “culturais”, indicadoras de práticas. Assim, sugere-se a possibilidade de diferenciar a disposição dos dois conceitos. Tornam-se refinadamente operáveis. Acontecimentos do meio-ambiente, cultural e natural, tornam-se fontes inesgotáveis de recursos. O resultado expressa-se no fato de nosso Meio-ambiente ser formado, em grande parte, por conceitos dispositivos Cultura-Natureza, ou cultural-natural.

A práxis humana orienta-se e funciona no mundo em que vivemos (Lebenswelt), de acordo com objetivos. A cultura é o resultado desta prática, canonizada e divulgada por tradições, hábitos, instituições, etc.

Dessa maneira, quando contemplamos a “Natureza”, interagimos com considerável quantidade de signos culturalistas, advindos de práticas habituadas. Repetem, indicam e habituam o círculo de causa-efeito que caracteriza a cognição, lógica e dimensão trans-subjetiva do país. Assim, a Teoria do Brasil pode partir e desenvolver-se com base neste Meio-ambiente, repleto de práticas que formam a base poiética de nossa cultura.

Cultura e Natureza

Em tais casos, seria importante definir a proporção de elementos culturalistas e naturalistas. Aparentemente o comportamento habituado tem mais familiaridade com processos culturais aplicados em acontecimentos naturais. Nosso conceito de “Natureza” refere-se, frequentemente, a esta dimensão de acontecimentos naturais. Isto segue o pressuposto de poder incentivar ou desenvolver processos naturais através da atividade poiética.

Na Agricultura Biodinâmica encontramos bons exemplos, nos processos para “vivificar a terra”e “enobrecer” plantas.

Na EPI-I encontra-se detalhada apresentação do Culturalismo Metódico, ainda pouco conhecido entre nós. Mais além, propostas para sua integração e ferramentas para operar a diferenciação pragmática de Cultura e Natureza.

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