Veja como o Brasil possui componentes medievais.
Outros componentes são do Modernismo, do Romantismo e do Existencialismo.

Medievalismo:
É caracterizado por uma sociedade hierárquica,
baseada em antagonismo de classes, dispostas como castas.
Isto é justificado como sendo a vontade de Deus. 

Dai, diferenças de tratamento legal. Ricos são tratados com multas. Pobres com violência. Métodos não permitidos contra ricos são sancionados no tratamento de pobres.

De modo geral, mas principalmente entre os desfavorecidos, apenas com malandragem era possível dar conta do dia a dia. Surge o homem trapaceiro, o jeitinho e a malandragem.

Vinganças sangrentas, brigas e certa falta de lei eram características. Comumente, imperava a “lei do mais forte“.

Como o Estado é fraco, e ausente, não garante a ordem e direitos. O cidadão necessitava, ser igualmente policial, portar armas. Assim, havia afinidade e uso socializado de armas brancas (por exemplo: faca, punhal).

As classes privilegiadas viam o trabalho como algo negativo. Ideia de aumento da efetividade, qualidade no trabalho ou prazer em trabalhar eram inexistentes. Defendiam que o trabalho não é algo que enobrece. O melhor é viver à custa de outrem. Dai, a base da malandragem.

O conceito de verdade tinha mais a ver com adequação a normas ideais, ou idealizações.
Tinha menos a ver com a adequação aos fatos.

Como a maioria da população é analfabeta, a comunicação e cultura são preponderantemente acústicas. Contradições e polarizações são comuns: tais como pudor e obscenidades.

Assim, tudo é ruidoso e colorido, caótico.

O cheiro de sangue e rosas misturam-se, como descreveu J. Huizinga. Tendência a sonhos e visões. Uma cultura acústica, oral e gestual.

Uma das características marcantes, principalmente no final da Idade Media é o fato do pensar transcorrer mais em símbolos e alegorias (V. Burke, Die Renaissance in Italien, p. 166).

Palavras e números possuem significado mágico. Cada ação tem sentido oculto. Em contrapartida, o pensar em símbolos dificulta analises e relativização. Favorece o pensar absolutista.

Vive-se em constante lembrança. O que se faz hoje é lembrança de como foi feito no passado. Dai, é orientado ao passado. Não existe desenvolvimento.

Sociedade e cultura são imutáveis. O novo é suspeito. Pecado. Produz medo e insegurança.

Prefere-se a duração a modificação. Tudo é certeza, imposta pela visão do mundo teológico. Deve ficar como está. Assim, não existem ideias revolucionarias.

Todavia, desejava-se o “Chiliasmus”.
A salvação eterna através de forças supranaturais que venceriam o domínio de Satanás,
implantado na Terra, para restaurar o reino de Deus.
Ideia bastante influenciada pelo Livro do Apocalipse e pelos escritos de Joachim von Fiore (p. 193).

Mesmo entre aristocratas o tom e modo de falar eram grosseiros.
A sexualidade era ostensiva, menos erótica.

Medidas eram rudimentarmente aproximativas.
“Toma-se posse da terra cavalgada do nascer até o por do sol”.

O céu é imaginado analogamente a vida na terra.
As pessoas não vivem unificadas ou separadas da Natureza.
Nesse sentido, a Idade Media é um período de transição.

Mais além, o simbolismo tem sua origem na emblemática dos bárbaros. Emblemas são ai fatos, não apenas representam algo oculto. Dai sua força. Outra fonte do simbolismo era a crença dos neoplatônicos de que a realidade era o mundo espiritual, sendo a percepção de objetos do mundo tridimensional meramente réplicas.

O tipo ideal era o monge ascético. Livre das preocupações deste mundo. O homem próximo e temente de Deus. A vida é uma luta para seguir os desígnios de Deus. Dai a importância da fidelidade. Relações são vistas como servidão. Absoluta obediência a Deus leva a liberdade. Dai, a aproximação dos conceitos liberdade, servidão e fidelidade.

Pelo fato do espírito ser eterno e imutável, não existe transformação. Por isso o antigo é sinônimo de autoridade. Novidades e originalidade não eram bem vistos. A historia desenvolve-se sob plano de Deus, de modo absolutamente pré-determinado.

Eram frequentes ideias sobre o fim do mundo. Um mundo fantasmagórico, pessimista: o homem por ser pecador dependia da graça de Deus, da proteção de santos. A salvação da alma era componente determinante do modo de viver.

Nas atividades públicas, não distingue-se o público e o privado.

O medievalismo pode ser caracterizado como:

* –  tensão entre fome não saciada;
* –  tradições orais;
* –  vida curta;
* –  falta de educação;
* –  desejo de tradições que tragam estabilidade.

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Edson de Melo
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