Carnap

Ludwig Wittgenstein foi um pensador original e influente. Sua importância fundadora na Filosofia Analítica, junto a Bertrand Russell e Moore, é imensa. Igualmente, sua influência no Círculo de Viena (O. Neurath, R. Carnap, H. Reichenbach, Feigel, M. Schlick, Waissmann) não deve ser menosprezada.

Particularmente de pragmática relevância é seu conceito de Linguage Games, desenvolvido no livro Philosophische Untersuchungen. É a tese central, em redor da qual desenvolve este trabalho mais maduro. Revisa o modelo da relação reflexiva entre Linguagem e Realidade, desenvolvida no Tractatus. Este modelo fora apresentada, anteriormente, por Augustinho, em suas Confissões.

O pensamento básico é de que cada expressão verbal é parte de uma práxis. Apenas neste contexto que inclui práticas inter e trans-subjetivas, ganha sentido. A significação da linguagem transcorre pelo fato dela ser componente da atividade ou modo de viver (V, Reinier F. Beerling: Sprachspiele und Weltbilder. Reflexionen zu Wittgenstein. / München 1980).

Por exemplo, o conceito DEUS é, por um lado repleto de componentes abstratos. Ao mesmo tempo, interferem práticas religiosas, função psicológica, ou mesmo pragmática, quando a crença provoca modificações em situações existenciais concretas etc. Mesmo em sua significação puramente analítica, ou seja, espiritual, faz-se necessário um ato de pensar ou intui, incluído no tempo-espaço.

Em modos idealistas, como propostos por Herbert Witzenmann, por exemplo, a transformação do puro pensar em pensamento produz sua inclusão no tempo-espaço. Se considerarmos o Processo Aferente-Eferente, constatamos a invariável presença de resíduos de individualizações anteriores deste conceito.

Se considerarmos as dificuldades quase intransponíveis da possibilidade de pensar e lidar com puros conceitos, por exemplo, na formulação de Hegel da pura idéia como o puro pensar que pensa sobre o puro pensar (?) aceitaremos que o pensar, na prática, é proposto como pensamento. Ou seja, resultado no tempo-espaço da prática de pensar.

Assim, componentes trans-subjetivos, direta ou indiretamente, possibilitam a efetiva compreensão, mesmo de conceitos abstratos. Pois, mesmo estes necessitam aparecer e referenciar-se a realidade tridimensional, na qual vivemos.

Nesta proposição, não devemos esquecer o mérito de pioneiros da Filosofia de Processos, como Hegel e Bergson, além de Whitehead, cuja obra foi utilizada intensamente nas EPIs.

Ir ao Banco

Em resumo, a verbalização é prática cujo status depende da relacionalidade com outras inter ou trans-subjetivo.

A declaração: “vou ao banco buscar dinheiro” é compreensível pelo fato de sabermos as regras deste jogo chamado ir ao banco, buscar dinheiro, composto por outros jogos como banco, buscar, ir, dinheiro etc.

Este fato estabelece a integração de verbalização e prática trans-subjetiva. Vendo-os como processo, sob os conceitos da Progressão Criativa de Whitehead, a verbalização indica e denuncia fatos, diversos. São recursos valiosos.

Wittgenstein

Por exemplo: o grito “chame um médico”, indica pelo modo como é desferido, o fato de médicos serem algo presentes e comuns nesta sociedade. Também, o fato de alguém estar acidentado ou doente. O direito, predileção ou dever de chamá-lo. Mais além, indica o modo de viver, o estado de desenvolvimento da sociedade em questão, processo e paradigma civilizatórios, e assim por diante.

Dessa maneira, este conceito de Wittgenstein transforma-se em ferramenta para o desenvolvimento da Teoria do Brasil. Principalmente pelo fato de prescindir de dados históricos, psicológicos e ontológicos.

Igualmente pelo fato da operacionalidade destes conceitos, suas indicações pelos conceitos de Whitehead, por exemplo, virem ao encontro dos modos imaginativos dos brasileiros.

Edson de Melo (atualizado em agosto de 2011)
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