A concepção do Frame of Reference é corrente na Física. Ai, funciona como poderosa ferramenta para integrar diferentes perspectivas de consideração de fenômenos.

Isto permite maior liberdade, flexibilidade e efetividade.

W. von Goethe pleiteava que o fenômeno podia tornar-se mais confortável de ser manejado, quando considerado na perspectiva adequada.

Isto incluía a personalidade, idiossincrasias e predileções individuais do pesquisador, no processo da pesquisa cientifica. Ou seja, elementos singulares.

Paul Feyerabend denominou este aspecto “componente ontológico da pesquisa cientifica”.

Esta proposta trazia consigo a dificuldade de integrar e produzir consenso entre esta singularidade e a totalidade de pareceres e perspectivas.

Trata-se de questão que ocupa a grandiosa Filosofia Idealista Alemã. Igualmente foi impulso irresolvido no “anarquismo epistemológico” de Feyerabend.

A perspectividade é bastante praticada na Teoria da Relatividade. Contando com meios de transformação e integração de FR, produz-se a incrementação da liberdade e perspectividade com a produção dos consensos necessários e imprescindíveis na Física.

Adicionando-se o trabalho progressivo, pacifico e cooperativo, tem-se alguns dos pilares do imenso desenvolvimento e possibilidades desta Ciência.

Todavia, estes hábitos cognitivos são ainda raros nas Ciências Humanas, e, principalmente no dia a dia.

A Filosofia não resolveu este problema. A perspectividade permaneceu agente do caos. Deveria ser semente para ordem superior.

O Frame of Reference (FR) é o contexto específico, no qual a declaração nasceu, desenvolveu-se e tem sua razão de ser, adequação e veracidade. Do mesmo modo, em ações práticas-poiéticas, pode-se identificar o correspondente Frame of Reference.

Isto constitui o sistema de coordenadas inerente.  Assim, toda declaração, ou ação, é valida em seu especifico Frame of Reference.

Todavia, verbalizações e ações práticas, normalmente, ocorrem sem especifica-lo.

Caso consideremos a quantidade de tais ações que exercemos diariamente, constatamos o imenso potencial latente na melhoria da qualidade de sua adequação.

Vamos considerar rapidamente exemplos proeminentes na Historia da Filosofia.

Martin Heidegger declarou que quando considera-se perspectivas profundas da realidade, a linguagem usual mostra-se inadequada. Necessita-se de poesia.

Esta frase foi um dos impulsos no Pós-modernismo.

Do mesmo modo, Friedrich Nietzsche acreditava não existir verdades. Apenas interpretações.  De certa forma, Friedrich Nietzsche percebeu o fato de não haver FR absoluto. Com isto, impulsionou, igualmente, o Pós-modernismo.

Necessitamos de ferramentas para pensar os pensamentos destes filósofos, através da consideração das declarações em seu FR.

No caso de Martin Heidegger, as coordenadas são:

1 – O paradigma filosófico da procura da verdade;

2 – O objetivo da declaração em justificar sua linguagem filosófica;

3 – O processo de investigação que utiliza;

4 – A especifica dimensão desta perspectiva profunda da realidade

Neste contexto, a declaração justifica-se. Compreende-se o que o eminente filósofo propõe.

Ao mesmo tempo, evita-se a injustiça de considerar seus pensamentos em  contexto que não corresponde a declaração original.

Utilizando Tensores da Systematic Enlightenment and Recivilization, desenvolvidos especialmente para tais situações, a declaração pode ser transformada, em sentido produtivo-incrementativo. E correspondida em outros FR.

Por exemplo, no exato momento em que introduzimos objetivo  análogo ou homólogo aquele implícito ou explícito na declaração, inicia-se a transformação. Simultaneamente, o objetivo indica o âmbito de validade da declaração.

O objetivo de “dar conta de modo prático as necessidade do dia a dia dentro da realidade brasileira” provoca certa tensão. A declaração do filósofo parece algo discutível, até mesmo sem sentido. Pois, o objetivo ultrapassa os limites de seu âmbito de competência.

Como utilizar a linguagem poética para dar conta as necessidade e problemas do nosso dia a dia? Todavia, pelo fato de termos modificado apenas uma das coordenadas, o FR mantem-se, mais ou menos, estável. Assim, pode-se operar transformação que permite a recepção da declaração em outros FR.

A declaração de Friedrich Nietzsche tem como objetivo relativizar o FR absoluto, imposto pela Teologia Crista. Considera dimensões adequadas a este objetivo, sob o paradigma da Filosofia.

Caso introduzamos o objetivo de “realizar o cristianismo, como proposto na Antroposofia“, ou seja, a integração da liberdade individual com as necessidade da humanidade (o “Síngulo e o Omnio” como o conhecido antropósofo Thomas Bernardo Sixel gostava de formular) produzimos interessante tensão transformativa no FR de Friedrich Nietzsche.

A questão sugere possibilidade original. Instiga particular criatividade para ser resolvida.

A introdução explicita do Frame of Reference em debates e ações, é operada no SER (Systematic Enlieghtenment and Recivilization), através de Tensores, especialmente desenvolvidos para cumprir esta finalidade.

Nesse sentido, instrumento de aperfeiçoamento da Democracia, como prática cognitiva, verbal e prática-poética.

Assim, colocamos a disposição dos interessados ferramenta para produzir a adequação da liberdade e possibilidade, oferecidas pela perspectividade e singularidade de cada um de nos, com as necessidades genéricas, propostas pela realidade transsubjetiva de nossa civilização.

Mais além, a adequação as necessidades ecológicas, referentes a posição do planeta Terra no contexto do sistema solar.

A singularidade de cada momento de nossas vidas individuais, harmonizada com a sobrevivência e continuidade progressiva da espécie humana é o objetivo central no processo civilizatório.

O SER procura contribuir para sua realização…

Edson de Melo
25/10/2014

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