A BRASILIDADE COMO CIVILIZAÇÃO FUTURA

Prólogo

O Brasil é um país complexo. Estimulante. Estranho. Muitas vezes aterrador.

De um lado a extrema doçura e sentimentalidade. O belo romantismo e melodiosidade de suas canções. A tendência poética de muitos brasileiros.

Ao mesmo tempo, intensa propensão a violência. Grande generosidade e extremo egoísmo. Muitas vezes, aproximando-se de certo nazismo.

A magnitude geográfica, as diferentes culturas que nos formaram, alem do processo de formação, propriamente dito, nos legaram duas características básicas.

A diversidade e a disponibilidade. Improvisacionismo e alegria como protótipos de Sociabilidade.

São componentes de grande forca civilizatória, como veremos adiante.

A disponibilidade descreve a prontualidade[1] para criar e conceber relações inusitadas. Permite grande quantidade de possibilidades.

A diversidade coloca a disposição imenso material para realizações e ideias práticas.

Os dois componentes completam-se. Incrementam-se reciprocamente.

Concebidos como sistema apresentam reações, inesperadas. Auto-organização, componentes emergentes. A baixa entropia do sistema promete e exige muito de nós.

Dai, desenvolvem-se três características acessórias.

Possibilidades, necessidades e predileções. Veremos mais a frente o que significam, exatamente.

Assim, compreende-se a simultaneidade bizarra do país.

De um lado acenam possibilidades inacessíveis a muitas nações ocidentais. Ao mesmo tempo, tais possibilidades ameaçam, concretamente, nossa existência.

Acima de tudo, dificultam o processo civilizatório, nos moldes praticados na Europa. E que herdamos em nossa formação.

Esta necessidade e pressão é componente intrínseco de nossa missão recivilizatória.

A solução deste problema, com sua ordenação idiossincrática e produtiva, está acoplada a sustentabilidade de nossa existência, como cidadão, nação e cultura.

Ou seja, temos de resolver isto, para garantir nossa sobrevivência. Por isso é tão importante.

Pois, o Brasil é, ao menos potencialmente, um dos motores da esperança do mundo ocidental.

Este mundo ocidental é impulsionado pelos princípios da separação e extração.

Foram meios de ordenação social, praticados desde culturas arcaicas germinais, como os Egípcios, Gregos e Romanos.

Ai, a escravidão era sancionada. A violência desenvolvida como tecnologia de efetividade. O escravo era extraído do processo civilizatório. Sua humanidade era negada. Tinha a função de resolver os problemas básicos. Fazê-los desaparecer. Quando não mais útil era descartado.

Assim, separação e extração, divisão e remoção, podem ser observados, em suas mais variadas formas. Caracterizam-se, em determinada perspectiva, como princípios básicos da civilização. E, ao que parece, o mundo, ao menos ocidental, não encontrou outra possibilidade.

Mas que outras possibilidades teríamos?

Existem princípios integrativos de ordenação da realidade. Diferenciação e diversificação, inclusão, mediação, unificação.

Devido seu pouco uso, aparentemente são menos habituados. Contradizem a Fixidez Funcional de nosso sistema cognitivo. Todavia, fundam novo paradigma no processo civilizatório.

Normalmente, sistemas filosóficos importados capitulam ante a complexidade do Brasil. E por não contarmos com outras opções, somos obrigados, igualmente, a capitular e aceitar a impotência.

Iremos mudar isto.

A Europa viveu cerca de dois mil e setecentos anos de modo, mais ou menos bárbaro. Apenas há cerca de três séculos tiveram impulsos democráticos e claramente civilizatórios.

Nós recebemos quase três mil anos de barbarismo concentrados e intensificados nos poucos séculos de nossa formação. E apenas nos anos oitenta, do séc. XX, com o final da Ditadura, iniciamos realmente nossa civilização.

Esta realidade histórica nos deixou um legado de maior complexidade e necessidades prementes.

Nossa problemática é, dessa maneira, o produto do paradigma do processo de expansão ocidental. Um experimentalismo, algo irresponsável e desumano que tem custado a vida de muitos seres valiosos.

Mas, os poucos anos de nosso processo civilizatório recente são muito promissores.

Nas paginas seguintes o leitor encontrara diretrizes para a conscientização e solução individual desta problemática.

Mais além, a clara definição do que seja uma civilização.

E como a realidade brasileira, através da Teoria do Brasil, revela e incrementa a brasilidade.

Finalmente, como esta é a civilização do futuro.


[1] Ou seja, está pronto