Crônica da Teoria do Brasil

Desenvolvo uma tecnologia cognitiva, sob o paradigma do Engenheiro-Filosofo.

 

O principio básico, no desenvolvimento da Teoria do Brasil, foi o paradigma da necessidade de coletar e desenvolver ferramentas apropriadas, especialmente desenhadas para tratar do problema. E estruturar tais ferramentas em sistema abrangente, sofisticado e diversificado.

O imenso desenvolvimento da Física, principalmente da Astrofísica, mostra a vantagem de ferramentas adequadas e métodos.

A concepção do sistema de quantificação, junto ao processo da rotação de coordenadas, permite descrever todos os fenômenos, como produto de interferências.

Em minha atividade diária, repito muitas vezes que não há tarefas difíceis, mas métodos inadequados.

Examinando, por exemplo, a estrutura logica dos problemas, fica claro ser a indicação da falta de meios adequados para adequar resultados ao objetivo.

O problema, como uma luva, ganha vida, sob interferência do objetivo. Sem ele permaneceria inerte. Ferramentas apropriadas, permitem  descrever os movimentos da luva, como atividades da mão que a move.

Na EPI-I, iniciada há cerca de dez anos atrás, a coleta e produção de ferramentas para explicar o modo de viver e a cultura dos brasileiros. Apresentamos no BLOG a descrição de algumas delas.

Por exemplo, a Progressão Criativa de A. N. Whitehead, a Semiótica de C. S. Peirce, o Processo Aferente-Eferente, formulado por Herbert Witzenmann, o Construtivismo Metódico de Peter Janich e Hartmann, conceitos chaves de L. Wittgenstein, disposto em sistema, a Heurística de Albert Einstein, o principio da compressão de dados, inventado por Claude Shannon, a Teoria dos Sistemas, Morfologia e Analise Morfológica, como desenvolvida por F. Zwicky e T. Ritchey, Series de Fourier, o sistema TRIZ proposto G. Altshüller e desenvolvido, entre outros, por Ron Horowitz.

Paralelamente, desenvolvi uma serie de ferramentas, especialmente desenhadas para as necessidades da cultura brasileira.

Mas, faltava um elemento de ligação para dispô-las em uma teoria sintética e útil, para beneficiar o cidadão comum, artistas, filósofos, cientistas e empresários.

Em Abril, do ano passado, percebi que havia desenvolvido um sistema de quantificação de características culturais e nacionais que poderia ser utilizado na TB.

Era o elemento que faltava.

Em meu trabalho diário, de consultoria, havia desenvolvido um sistema para descrever facetas do comportamento dos povos europeus. Foi testado e utilizado muitas vezes, no tratamento de diversos problemas. Parecia funcionar bem. E oferecia explicações de valor pragmático. Ocorreu-me desenvolver algo semelhante, para os brasileiros.

Deste projeto, resultou um sistema de quantificação original que deu impulso a Teoria do Brasil.

Na época, acreditei que este sistema já era a TB. De certa forma, poderia ser utilizado para explicar o comportamento dos brasileiros, situando-o no contexto internacional. E descrevendo sua situação cognitiva, cultural e social especificas.

Encontra-se em desenvolvimento. Mas, já mostra-se operável e frutífero.

Todavia, este sistema fornecia dados genéricos. Necessitava ser transformado em banco de dados, para processamentos detalhados e diversificados.

Assim, surgiu à necessidade premente de desenvolver fórmulas matemáticas-filosóficas para descrever e operar aspectos fundamentais da cultura.

Foi desenvolvido um sistema de oito fórmulas para a quantificação e operação de traços e características nacionais.

A Humanidade utiliza o sistema cognitivo em modos distintos. Modifica o pensar, ao longo de sua história.

Na Idade Media era característico o pensar em alegorias. Acreditava-se em significados ocultos, transcendentes. Este pensamento encontra-se bastante vivido, por exemplo, no sul da Espanha e, igualmente, em determinadas regiões do Brasil. Forma, de certo modo, o paradigma do uso do sistema cognitivo, entre os brasileiros.

No Século XVII começamos a conceber a realidade em duas dimensões, sob o impulso de Descartes.

A Revolução Industrial, do Século XIX, levou-nos a pensar a realidade como causa e efeito. Este é ainda o modo habituado de processamento e utilização do sistema cognitivo nas culturas mais desenvolvidas e civilizadas. Todavia, igualmente, por ser anacrônica, conduz a equívocos e problemas desnecessários. Assim, o uso do sistema cognitivo mostra-se como insuficiente.

Exatamente este problema revela grandes oportunidades, principalmente em culturas como a nossa.

Explica dificuldades e perigos no uso anacrônico do pensar, quando se trata do processamento da realidade. Ou no tratamento de acontecimentos culturais, artísticos etc.

No inicio do século a Teoria da Relatividade e Física Quântica mostraram a necessidade de pensar simultaneamente, com inúmeros parâmetros. Surgiu o pensar em sistemas. Entre outros aspectos, caracteriza-se pela logica inesperada e original.

O sistema pode ser complexo, embora os componentes sejam simples e dotados do mínimo absoluto de informações ou possibilidades. Pessoas, pensamentos ou ações, notas musicais ou palavras, associadas em sistema, podem gerar estruturas extremamente sofisticadas e surpreendentes.

Mais além, uma vez interagentes, articulam-se autonomamente e produzem novos componentes.

O sistema tem logica própria e estimulante. Desenvolve a concepção de racionalidade. Nesse sentido, fica clara a necessidade de atualizar o uso do sistema cognitivo, para lidar com a realidade e possibilidades do Brasil.

Fórmulas são meios para descrever  sistemas. Um elo de comunicação com a Natureza. Questionamos através delas. E a Natureza responde. São partituras de relações.

O sistema de fórmulas que desenvolvi, permite o processamento de grande quantidade de parâmetros, focalizados na realidade e cultura brasileiras. Possibilita, desse modo, pensar a simultaneidade. E alinhar a racionalidade logica com a aparente irracionalidade de nosso modo de viver..

A partir deste desenvolvimento, concentrei-me nas relações que as fórmulas sugerem. Um trabalho difícil. Todavia, bastante interessante. Pesquisa extremamente abstrata, como na Matemática Pura ou na Metafisica.

Processo esse trabalho com o método acumulativo, utilizado por Thomas Edison. Foi por conta da admiração de meu pai por este inventor que ganhei o nome que tenho. Edison criou o paradigma da tecnologia cognitiva, a base poiética do mundo contemporâneo.

Bertrand Russel dizia que Karl Marx era excessivamente pratico para ser um filosofo. O mesmo aplicar-se ia a Thomas Edison.

Isto caracteriza, igualmente,  meu modo de pensar. Sempre estive mais próximo da Física que da Matemática. Concebo a Pedagogia, Artes ou Filosofia como uma Engenharia. Desenvolvo uma tecnologia cognitiva, sob o paradigma do Engenheiro-Filosofo.

Todavia, com este desenvolvimento tive de mudar. Percebi a necessidade de criar uma Filosofia para formular a Teoria do Brasil.  Os modos idealistas-abstratos e imaginativos-existencialistas dos alemães e franceses teriam de ser empregados. Um desafio para a minha natureza.

Para isto, exercito diariamente o pensar abstrato, como é corrente na Matemática e Metafisica. Trata-se do mesmo processo, através do qual aprendemos um novo idioma, ou dominamos o instrumento musical.

Quando se tem um objetivo ou projeto, frequentemente o melhor e mais importante é exatamente aquilo que contradiz nossa natureza. Ai esconde-se a chave para a resolução. Pois aquilo que nos agrada é, muitas vezes, apenas habito cognitivo. Ou espelhamento do que já somos ou sabemos. O estranho, avesso, é justamente, a porta para novas possibilidades.

Depois, para equilibrar-me, exercito-me ao piano e faço jardinagem. O exercício diário tem melhorado esta capacidade. E isto tem ajudado bastante no desenvolvimento da TB

O resultado foi uma serie de fórmulas que descrevem a disponibilidade, característica de nossa cultura. Mais além, predileção, necessidades, competência, problemas, objetivos, entre outras. Mas, principalmente, uma formula para descrever e possibilitar a SOCIALIDADE, como sentido e critério de avaliação de culturas. Ou, critério do status civilizatório de uma nação ou sociedade.

Nesta fórmula interferem trinta parâmetros, simultânea e interdependentemente. Significa ser um sistema sensível. A mudança em um parâmetro afeta todo o sistema, com modificações difíceis de administrar.

O passo seguinte tem sido aplicar, verificar e ajustá-las. Uso um método de questionamento, empregado por jornalistas holandeses. A longa tradição realista e pragmática desta cultura imprimiu na Língua, e hábitos cognitivos, a tendência ao questionamento direto, incisivo e exato. Todavia amistoso, e aconchegante. Uma mistura original e produtiva.

A aplicação deste método leva-me a descobrir falhas ou inconsequências nas fórmulas. Ou aspectos a serem especificados, clarificados, testados, acurados.

A partir deste questionamento utilizo os modos ingleses, tradicionalmente empiristas e sistemáticos. É necessário examinar cada um dos componentes das fórmulas. Organizar sua sequencia, concebe-los como sistemas, com as qualidades típicas, como auto-organização, emergência etc.

A Ciência moderna, influenciada pela Física, segue o paradigma dos sistemas complexos formados por componentes, ou operações simples. Observar este paradigma exige a constante simplificação e aperfeiçoamento de relações, operações ou conceitos que aparecem genéricos, inebriantes.

O passo seguinte será dispor, organizar e levar os componentes a produção de relações emergentes. Certamente, um sistema desta amplitude começa a articular-se com autonomia no momento em que é disposto e ajustado.

O objetivo tem sido desenvolver uma fórmula que descreva, explique e reconstrua o desenvolvimento de componentes e acontecimentos especificamente brasileiros. Assim, explicar-se-ia o cerne da problemática e possibilidades do Brasil.

A partir disto, inaugura-se a parte transformativa da Teoria do Brasil. Apoiada pela teoria explicativa surge um programa transformativo, estimulante. Uma tecnologia civilizatória deve ser desenvolvida, logo que a Teoria do Brasil cumpra seu objetivo inicial.

Com o progresso no desenvolvimento da formula que descreve o processo de formação de componentes culturais específicos, a Teoria do Brasil cristaliza-se como sistema em três partes.

1 – Sistema de Quantificação: Espectro de características nacionais e culturais.

Esta parte baseia-se na coleta de informações, dispostas em grupos, como unidades de quantificação.

2 – Sistema Explicativo.

Apresenta grande quantidade de parâmetros, processados simultaneamente. As formulas são partituras da composição de conceitos e relações originais. Isto oferece novas possibilidades para o sistema cognitivo.

3 – Sistema Transformativo.

Com base na formula da Socialidade e estruturação da TB, temos a disposição descrições da estrutura interna do processo civilizatório e da população brasileira.

Assim, e formulado o objetivo de “recivilizar o modo de vida da população brasileira”

Este processo contará com a adaptação do sistema TRIZ, em analogia a projetos semelhantes, realizados pela Systematic Innovation, sob a direção de Darell Man, na Inglaterra.

Em nosso caso, a adaptação de TRIZ, sistema conhecido pelos Engenheiros Mecânicos, para o tratamento produtivo-heurístico de problemas civilizatórios, sociais e culturais.

Espero poder concluir este projeto, em meados de 2015. Infelizmente, devido a inúmeras atividades, não me sobra muito tempo para o trabalho na TB. Mas realizo este trabalho, diária e pacientemente, ha cerca de dez anos. Continuara sendo assim.

Esta teoria é minha contribuição particular, esperando que muitos brasileiros dediquem-se a construção de uma civilização pacífica, alegre e capaz de oferecer novos impulsos a recivilização do Ocidente.

Este sonho, algo utópico, de minha geração, é um projeto gigantesco. Mas, uma grande nação, como o Brasil, pode realizar esta tarefa.

Acredito muito na capacidade dos brasileiros, como indivíduos. Sua inteligência particular. Sobretudo disponibilidade para seguir e criar novos paradigmas e meios. Esta crença foi algo que sustentou o paradigma que dirige este trabalho.

O sonho recivilizatório é, sem duvida, algo que dá sentido e objetivo aos esforços, decepções e alegrias da vida cotidiana. Acreditemos na civilidade, socialidade e na paz. Principalmente acreditemos no homem e suas capacidades

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Edson de Melo

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